Cavalcante

Cavalcante é um município brasileiro do Estado de Goiás, localizada na Chapada dos Veadeiros, a cerca de 500 km da capital do Estado, Goiânia, e a 320 km de Brasília DF. Sua população estimada em 2004 era de 9.660 habitantes. Entre suas atrações turísticas destacam-se várias cachoeiras, como as do Rio Prata, de Santa Bárbara, da Capivara, e as várias cachoeiras da fazenda Veredas e da Ponte de Pedra. Apesar de não possuir ainda um acesso em seu território, Cavalcante também abriga cerca de 60% da área total do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

HISTÓRIA

Sua origem remonta a 1736, quando o bandeirante Julião Cavalcante e seus companheiros, se separaram do grupo do capitão mor Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, que já havia descoberto várias minas de ouro no sul do atual Estado de Goiás, e chegaram a região norte do Estado em busca de novas minas de ouro. A notícia da descoberta de imensa mina de ouro de grande profundidade à margem do córrego Lava Pés, na sopé da serra Cavalhada, atraiu os investimentos de Diogo Teles Cavalcante que veio trazendo uma imensa comitiva de africanos escravizados, dando início a mina de ouro e ao povoado com nome de Cavalcante, em homenagem ao seu fundador e colonizador.

Em 1780 haviam mais de oito mil negros escravizados registrados nos livros paroquiais de Cavalcante e até uma casa de fundição de Império Português, para recolher ‘o quinto’. Na mina de Cavalcante o ciclo do ouro durou até cerca de 1850 quando começou a esgotar o precioso mineral de veio aurífero que vinham explorando a mais de um século.

O negros escravizados que conseguiram fugir deram início ao Quilombo Kalunga, que resistiu ao tempo por conta do seu isolamento, permanecendo intocado.

QUILOMBO KALUNGA

Kalunga é o nome que se dá às comunidades remanescentes de quilombo que estão localizadas nos municípios de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre, em Goiás. Segundo a Fundação Cultural Palmares esse quilombo é considerado o maior do Brasil em extensão. Seu território abrange cerca de 237 mil hectares.

Glória Moura (2012) nos diz que são quilombos contemporâneos as comunidades negras rurais onde se agrupam descendentes de negros escravizados que vivem da cultura de subsistência. Têm forte vínculo ancestral e são constantemente recriadas. Isto torna as festas o eixo, reafirma-as como fator identitário. (…) A maioria vive de culturas de subsistência em terra doada/comprada/secularmente ocupada. Seus negros valorizam tradições culturais dos antepassados, religiosas (ou não), recriando-as. Possuem história comum, normas de pertencimento explícitas, consciência de sua identidade étnica. (…) O conceito de quilombo tem sido objeto de reflexão histórica e política desde os anos 1970. O movimento negro contribuiu significativamente para ressaltar a importância do estudo dos quilombos na história.

Referências:
MOURA, Glória (org). Uma História do Povo Kalunga. Brasília: MEC, 2001.
MOURA, Glória. Festas dos Quilombos. Brasília: Editora da UnB, 2012.
Wikipédia, a enciclopédia livre.